Responder mais
sem contratar mais.
Uma prefeitura paulista de porte médio, com estado de aperto fiscal declarado, precisava atender melhor sem ampliar quadro. Em sessenta dias, três capacidades entraram no ar para provar que era possível.
O contexto
Prefeitura com cerca de oitenta e cinco mil habitantes, em região metropolitana, operando sob restrição orçamentária formalmente declarada. O quadro é conhecido de qualquer gestor municipal: a demanda do cidadão não cai quando a receita cai. O balcão continua cheio, o telefone continua tocando, e contratar não é opção.
O município já tinha sistemas — protocolo, orçamento, assistência social, saúde — e eles não conversavam. O dado existia; a resposta, não.
A pergunta que importava
Não era "como colocar IA na prefeitura". Era: quais perguntas o cidadão e o gestor fazem todo dia, cuja resposta já está no dado que a prefeitura tem, e que hoje exigem uma pessoa para serem respondidas?
Essa reformulação é o que decidiu o escopo. Em vez de um projeto de plataforma, três entregas pequenas, cada uma atacando um tipo de pergunta.
O que foi construído
1 · O canal que o cidadão já usa
Assistente no WhatsApp oficial da prefeitura — um número já aprovado como conta comercial, que antes só recebia mensagem e não respondia. Passou a responder em linguagem natural, 24 horas, com base na Carta de Serviços oficial do município, e a registrar protocolo quando a solicitação exigia.
O ponto não é o canal, é a fonte: a resposta sai do documento oficial, não da invenção do modelo.
2 · Transparência que responde
O Portal da Transparência publica tudo e explica nada. Qualquer cidadão — ou o próprio secretário — passou a perguntar em português sobre os dados financeiros e receber a resposta com o número e a origem.
3 · O cruzamento que ninguém fazia
Um painel que cruza registros da Assistência Social com atendimentos de Saúde para localizar família em situação de vulnerabilidade. Os dois dados já existiam, em sistemas diferentes, e ninguém tinha os dois na mesma tela.
O que ficou de fora, de propósito
- Não substituiu nenhum sistema existente. Protocolo, orçamento, assistência e saúde continuaram onde estavam.
- Não tomou nenhuma decisão automática que afetasse direito do cidadão. O painel aponta; a decisão é de quem tem a competência.
- Não processou dado sensível de saúde sem autorização formal da Procuradoria.
- Não integrou API de sistema legado. Era PoC: provar valor antes de pedir integração.
Por que isso importa comercialmente. Projeto de IA em prefeitura morre de dois jeitos: por promessa que o jurídico barra, ou por integração que o fornecedor do sistema legado não libera. O escopo foi desenhado para não depender de nenhum dos dois.
O que está em jogo
A PoC não tinha mandato para medir economia — sessenta dias provam capacidade, não resultado anual. Mas o tamanho da conta é conhecido, e é por onde a continuidade se justifica:
- Atendimento. Cada pergunta respondida pelo canal é uma pergunta que não consumiu servidor. Numa prefeitura sem margem para contratar, essa é a única forma de ampliar atendimento.
- Execução orçamentária. O painel expõe a taxa de execução por secretaria — quanto do que foi dotado virou pagamento. Abaixo de 70% é sinal de subfuncionamento, e até então ninguém olhava esse número mês a mês.
- Busca ativa. Encontrar a família vulnerável antes de ela virar emergência é mais barato em qualquer cenário — e é obrigação legal.
O que foi desenhado em seguida
Com a PoC no ar, a secretaria de educação do município recebeu uma especificação de oito módulos — alfabetização, evasão, fila de creche, apoio ao professor, painel do secretário, merenda, transporte escolar e educação especial — priorizados por um critério simples: os que usam só ativos que o município já tem entram primeiro.
Status honesto. Essa especificação é um projeto desenhado, não uma entrega realizada. Está aqui porque mostra como pensamos a sequência — não como resultado.
Tem uma operação pública com o mesmo problema?
Trinta minutos, sem apresentação de vendas, terminando com uma estimativa do custo atual do processo que te incomoda — e a ordem de grandeza do retorno, com as premissas abertas.